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 Poemas

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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Jan 24, 2010 1:42 am

Sobre o poema da thami

Citação :
Eles vão te roubar até o último pulso
Teu coração cansado vai parando ao poucos
E de tristezas certamente morto
Se encontra nesta ausência de pensar
Ao pensar morreram muitos, e ao tentar mudar o curso
A consciência o pergunta: Pra quer mudar? O sonho é curto!
E o pesadelo reverbera em notas de Constância infinda...
Ele Trouxe-lhe comida
para as carnes ensopadas na panela
E a beleza já não é bela, cansei-me de olhar.


Como se fosse o mundo,as ruas, as casas e tudo que temos. a preguiça de mudar, até de pensar. O sonho é curto e frágil... LINDO LINDO!
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Jan 24, 2010 1:51 am

Erih eu te disse um dia desses pra não desistir de escrever, que bom que você não desistiu por que eu vejo quanta sinceridade vc expressa nos teus poemas, e este me trás algo que é bem diferente do poema que postei, estou meio que influenciada pelo haiti e quando leio um poema sobre esperança, não se deixar vencer, "Do futuro que sempre ouço falar, vem o meu sonho" nossa, eu vejo o quanto é lindo cantar isso em versos.
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Jan 24, 2010 1:52 am

Mesmo em tom otimista a Erika carrega certo pessimismos e descrença material em algns pontos.
como um ar cristalino sobre seu próprio mundo mas ainda com sequelas, com que pisando em nuvens mas ainda com medo de cair...


O delírio de "Casuísmo" é um ato de entorpecimento continuo..
funde-se materialidade e engana o tempo...soltamos nosssas maos..o verso faz o resto...
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Jan 24, 2010 4:17 pm

Lide


Não penso, não sou poeta, não sou homem
Não sou fonte, nem pedra nem mesmo canto
Nem mesmo ouço o meu nome sair de outras goelas

Eu penso, eu sou poeta, eu sou homem
Eu sou fonte e pedra e canto!
Ouço os meus versos, o meu nome, entoarem circulantes
Mesmo sendo ao tal instante, distorcido em ruelas

Eu homem, penso, poeta, amante de tantos
Encontro o chão cheio de sangue, sou inseto insignificante
Rastejando aos comandos de ondas propagadas em uma tela
Sou tinto e vinho e bebo vinho e sou bebido e sugado
Ao agrado dos espasmos, embriagado e lunático, não preciso que me salvem
Sou tão homem pra tentar me reerguer...

Não sou homem, não sou homem, sou poeta? Sou amante?
Sou pedra. Sou a rocha que se quebra ao se expor às intempéries
Nem sou mais que matéria morta, ou viva, ou que seja!
Ou que seja o que for, eu irei de me opor, irei de ser qualquer um!

Irei de ser o azul do mais azul que a natureza pinta
Irei de ser o mar revolto, irei de ser o ar que toca o teu rosto nesta noite sem abrigo
Irei de ser seu inimigo, teu oposto, ou ter de certo os seus gostos
Irei de ser, não sendo homem, nem poeta, nem fonte nem pedra
Irei de ser apenas o canto divagando em pensamentos.



Thamires Machado


Última edição por thami em Sex Set 17, 2010 1:49 pm, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Jan 24, 2010 4:25 pm

Tenho uma dedicação especial a este poema, que postei aí em cima " Lide", ele é tudo aquilo que qualquer poema que escrevi disse e não diria, todas as minhas incertezas, tudo está nele...talvez seja o meu preferido..
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sab Jan 30, 2010 10:27 am

Mal e Mal

Irmão, meu sangue está em ti,
Meu mal reside aí!
Minhas flores cantam
Meu mal está aí!

Mãe, meu sangue veio de ti,
Meu mal veio de ti
Minhas palavras te atacam
Meu mal está ai!

E eu, que nunca fui nada
Sempre tive sangue ruim
Peço que alguma vez na vida
As flores cantem
As estrelas se apaguem
Descanso enfim.

E. Donin


---------

jonny2
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sab Jan 30, 2010 10:41 am

http://www.publico.clix.pt/Cultura/2666-de-roberto-bolano-sera-lancado-a-26-de-setembro_1395802


pra comemorar!!!
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sab Jan 30, 2010 11:00 am

O poema da Eri Donin "Mal e Mal" configura-se numa forma de agregar a dor contraposta a própria dor(Mal X Mal) da qual parece ser vitima e também algoz, traça por meio dos laços sanguineos a descendência desse sofrimento mas o final me parece ter um duplo significado, ou ela se dirige ao abismo como ultima estância(as flores e as estrelas se apagando significaria a morte) ou coloca nas forças da natureza(as mesmas flores e o apagar das estrelas como o fim da noite e o nascer de um novo dia) o ponto de fuga para a superação desse sofrimento.
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sab Jan 30, 2010 6:39 pm

Thami escreveu:
O poema da Eri Donin "Mal e Mal" configura-se numa forma de agregar a dor contraposta a própria dor(Mal X Mal) da qual parece ser vitima e também algoz, traça por meio dos laços sanguineos a descendência desse sofrimento mas o final me parece ter um duplo significado, ou ela se dirige ao abismo como ultima estância(as flores e as estrelas se apagando significaria a morte) ou coloca nas forças da natureza(as mesmas flores e o apagar das estrelas como o fim da noite e o nascer de um novo dia) o ponto de fuga para a superação desse sofrimento.
Sobre o duplo sentido... Me parece mais a primeira opção.
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Jan 31, 2010 2:02 pm

Skanker escreveu:
Thami escreveu:
O poema da Eri Donin "Mal e Mal" configura-se numa forma de agregar a dor contraposta a própria dor(Mal X Mal) da qual parece ser vitima e também algoz, traça por meio dos laços sanguineos a descendência desse sofrimento mas o final me parece ter um duplo significado, ou ela se dirige ao abismo como ultima estância(as flores e as estrelas se apagando significaria a morte) ou coloca nas forças da natureza(as mesmas flores e o apagar das estrelas como o fim da noite e o nascer de um novo dia) o ponto de fuga para a superação desse sofrimento.
Sobre o duplo sentido... Me parece mais a primeira opção.

Verdade Skanker, fiquei na dúvida por causa do ultimo verso, "descanso enfim", tem sentido muito mais de morte se você for observar, mas esse sentido muda se você olhar de outro prisma...bem legal plantar essa dúvida...na verdade, são os dois e não são... Razz
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sex Fev 05, 2010 2:03 pm

O que há de mais espaçoso no abrigo do sonho?
Longos corredores levando a escadarias escuras
Cheio de fragmentos de passos desencontrados,
Vielas indefiníveis entre as palmas das mãos das telhas inquebráveis
e ruas que levam a lugares onde o sentido está em algum lugar longe da li...
Na matinal aceleração do indivisível
na tarde que adormece na palma da minha mão.
sou as construções inacabadas ladeira à baixo
mas também posso ser a respiração ofegante da criança na sua bicicleta
que mais parece um longo trem viajando por paisagens deslumbrantes..
o vento que sopra nessa espaço-abrigo inacreditável
traz-me o colo das melodias
como que oferecesse um taça de impossível.

tenho medo mas bebo...

Alcanço as distantes embarcações
sopro em suas velas e mergulho no mar bambo mar
onde me equilibro momentaneamente...
Bebo até sua ultima gota e sopro pra cima nas barbas do invisível.
ninguém alcança a imensidão se não se se sentir imensidão,
o desastre nao estar no tempo
e sim no desespero de alcançá-lo
e no esquecimento de perder a si mesmo pelo caminho...


Descansa alma...
a eternidade é a tua pele inevitável...















João Leno Lima
05 de Fevereiro/10
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sex Fev 05, 2010 10:52 pm

Neste poema do Le onde os sonhos ganham dimensões inimagináveis, o poeta percorre o caminho do desconhecido onde as estruturas são longas e deslumbrantes...e com um verso final belíssimo "Descansa alma...a eternidade é a tua pele inevitável..."nos fez percorrer junto a você estes caminhos encantados.
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Fev 08, 2010 5:08 pm


Aumgn


Prefiro a indefinição do corpo e a definição da alma.

No choque elementar entre os elementos

que não se transgridem nasce a manifestação possível do tempo.

no olhar que se olha atentamente

foge a certeza elementar às crenças, mesmo as inóspitas...

Na voz que transita pelas vielas dos pensamentos,

no abútrico momento de medo,

na gritaria que é o gesto escondido do sonho

Debaixo dos mantos da noite...

na própria tradução aguda do esquecimento

que se desespera à apagar as pegadas do inalcançável;

so posso acreditar que foram os anjos caninos do destino

que me rederam me enxertando sangue de tempestade

nas veias-tuneis do meu coração gelado.

na língua gêmea da madrugada que lambe as feridas dos instantes mais pesados...



Colocando fogo nos lençóis emaranhados de saliva de desejos

tubaraoteando as penas fugitivas da solidão flácida.

Como os solavancos das angustias

sempre com laços roubados na ante visão das entrelinhas...



Esforço-me para não ser levado

como a luz que segura-se em si mesma

eternizando seu símbolo de coragem

perante os tentáculos dos negros buracos do cosmo.



As próprias nuvem pesam nos poros da memória.

na ratueiramente fébrica ilusão do alcance essencial.

Ser poeta traduz as portas, mas precisamos transpassá-las ainda...

O imerso chão do mundo onde insisto desabar...

Os nós são mais fechados quando resolvemos vomitar o passado pelo caminho

rumo as escadarias do passo, onde pedaços de pianos fazem acrobacias

no lado esquerdo do fluxo elétrico dos impulsos.

Onde fabricamos pensamento para melhor melodiar as partituras da razão.



Refaço o percurso a procura do sentido mais elementar

e só encontro a cartilha dos seres ensinando

a poética escravizadora sedenta pelos quatro elementos.

A distancia de mim para mim

É o sepulcro sussurrante que abraça os segundos.

Sou o inserto olhar que perfura as folhas dos meus próprios conceitos.



Sou os que recebem a luz do sol primeiramente.

Sou as primeiras ilusões da criança passageira

Sou as primeiras batidas das asas do pássaro

Quem na contramão planeja mergulhar nas artérias do limiar no ser...



E...Ser...















João Leno Lima

08 de Fevereiro 2010
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Fev 14, 2010 1:20 pm

Terceiro soneto do "Les stupra" (pelo senhor Arthur Rimbaud)

Franzida e obscura como um ilhós violeta,
Ela respira, humilde,entre a relva rociada
Ainda do amor que desce a branda rampa das
Brancas nádegas até o coração da greta.

Filamentos iguais a lágrimas de leite
Choraram sob o vento atroz que os arrecada
E os impele através de marnas arruivadas
Até perderem-se na fenda dos deleites.

Beijando-lhe a ventosa, o meu sonho o freqüenta.
A minha alma, do coito material ciumenta,
Qual lacrimal e ninho de soluços usa-a.

É a oliva esvaída e é a flauta agreste,
O tubo pelo qual desce a amêndoa celeste,
Feminil Canaã em seus orvalhos reclusa.


=]
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Qui Fev 18, 2010 7:21 pm



E a lágrima secou-se no canto da boca
Converso com meus olhos, constato:
A lágrima secou-se no canto da boca.
já não me olham e nem poderiam, eu os toco
olham decerto para eles mesmos
correlacionam lembranças
já não exigem que a gota corra por entre o rosto

Me mandam sinais dos mais absurdos
inverteram os mundos, a boca se cala diante do fato
os olhos falaram, roubaram teu substrato
os olhos falaram:
A lágrima secou-se no canto da boca
assim o quiseram, assim será...se façam os instantes apenas!

Eu já não esperava, ou espero sempre?
Devolvam à boca a fala, me dêem permissão para ver-me de novo!

Não. Não são mais meus, já não olham para mim
eu os choco, e eles se chocam decerto com eles mesmos

Subitamente paro acima da faixa que cobre, aquela que sobe
e vai suportando a rua...que não é mais sua
mas com ela pareia, com a rua desvia o caminho do vento
já não são mais suas as vidas que lhe atritam, que se espremem com força
as vidas, que se abrem em torno da margem dos olhos dos mares
olhos, nunca olham para alguém, senão para eles..
porque refletem o espelho d'água em torno do céu
porque refletem o espelho d'água em torno dos teus e dos meus olhos

Olhos que nunca olham para fora de si mesmos.



Thamires Machado


Última edição por thami em Sex Set 17, 2010 1:28 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Qui Fev 18, 2010 8:59 pm

Esse pequeno delírio sublime e mancolico como uma lágrima, como um olhar que da voltas pelos universos das coisas e mas nunca deixou de ser um olhar de dentro...internamente exterior...

"Olhos que nunca olham para fora de si mesmos."

Final soberbo para mais uma pérola que toma conta dos sentidos da poetisa...
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Fev 21, 2010 8:16 pm

Vocês humilham. Mas sou cara de pau e vou postar algo que escrevi há alguns meses. Estou com uma trava faz bastante tempo. Esse poema daqui debaixo só consegui fazer porque era para uma pessoa muito especial chamada Morgana e que mora no Ceará. Ela estava viciada em Álvares de Azevedo. :~


Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
Álvares de Azevedo (EMO LASCADO)

- • -

Se eu morresse amanhã

- • -

Enxergaria meu ser imundo
O retrato de sua existência vã
Permaneceria girando o mundo
Se eu morresse amanhã

- • -

Meus sonhos afogados no mar
Pálida virgem mordeu a maçã
Testemunhei a moça a pecar
Ai, se eu morresse amanhã!

- • -

Falta-me a pálida casta...
Sem importância alguma...
Somente o que me mata
É aquilo que me ama

- • -

"Se eu morresse amanhã!"
Colossal erro que cometi!
Desta vida não sou fã
Sinal de que já parti!
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Fev 21, 2010 8:42 pm

o verso "Se eu morresse amanhã"

é interessante, e pensava sobre isso de um outro paralelo hj nessa tarde, enquanto, em pedaladas e pedaladas, seguia com amigos pelas matas fechadas rumo a um lago...Carros passando perto e não sabemos o destino das coisas...

Acho que a idéia de viver "tudo" hj pq "amanhã" não sabe é algo controverso...

Não é preciso viver tudo hj - tal tarefa é um quanto impossivel - mas sim vivemos tudo naquela instante e no momento para tal q estivermos vivendo algo...

(pensando)...


Apesar do pessimismo, gostei dos versos, sombrio e as vezes, direto...
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Fev 21, 2010 9:27 pm

Agatha? Que bom que postou aqui os seus versos, comentando primeiro a respeito do bloqueio: É normal passar por isso, nem sempre conseguimos nos expressar com palavras, procura quando sentir isso algumas alternativas, mas não deixa de escrever...sim, o poema, coloca a visão do poeta dentro daquilo que ele mais teme, a própria morte, por isso evita viver simplesmente aquilo que a vida nos entrega, da forma que nos entrega...muito bom!! continua postando... Wink
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Fev 23, 2010 2:34 pm

ESCULPIR


Como um viajante que em cada passagem do percurso
anseia traduzir os símbolos do caminho,
meus sentidos percorrem longos braços tentando traduzir os símbolo das almas.
Não cabe a mim poeta, pergaminhar o presente e amassar as paginas do passado
e arremessá-la nos bueiros da inconsciência.
Essas longas caminhadas permanecem como longas caldas ou braços ou corrimões
onde uma hora despenco, outra subo, com mãos galgadas,
na certeza elementar do destino e pés fincados,
para tatuar com pegadas meu próprio delírio.

Se saio a noite a procura da minha própria imagem de angustia,
Pelas ruas obscuras, onde entro nas cavernas das esquinas e observo,
seres voltando para casa, Cansados, na adversária manifestação repetitiva.
Não saio de mim mesmo em nenhum segundo...
Meus sentidos se alargam em voltas e voltas como se águia fosse
Procurando uma fonte de água límpida para saciar sua voraz sobrevivência,
Eu, Poeta, procuro em cada rosto, oculto ao próprio rosto,
O segredo que possa traduzir o que sinto perante ele.

Não, não canso de procurar.
Mesmo nos meandros das matérias
que se entrelaçam em simbologia,
Como alguém que não aprecia a música por não entende-la...
Mas sente seu rosto, roçando, suas mãos,
como num gesto de cortesia, perante aquele que se ama cegamente
eu escavo as aparências mais externas,
não fico satisfeito com o superficialidade do gesto,
quero compreender as claves das palavras
e ler os mais incompreensíveis movimentos...
Sem hesitação, caminho até as vielas deles
e procuro um livro entreaberto
para arremessar-me..

Suspendo a mão até o rosto, fechos olhos
Como o ser que tateia a si mesmo num invisível
E toco nas sombras das palavras do oculto olhar debruçado na intimidade...

Tudo e nada pulsam...

Como a criança,
que acaba de nascer nesse exato presente,
em algum lugar,
muito além dos nossos sentidos.




João Leno Lima
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Fev 23, 2010 8:19 pm

não é poema, é um texto tipo crônica que eu escrevi




PESSOAS: AME-AS OU DEIXE-AS

Mais um ano se passa e, inevitavelmente, você vai refletir sobre o que aconteceu e o que deixou de acontecer.
Então pense, pense bem.
Eu pensei; concluí que não foi um ano diferente dos outros. Anos vêm, anos vão, e as coisas sempre acontecem de maneira veloz, dinâmica e intensa. Mas a coisa mais interessante não é isso.
O melhor (ou pior) de tudo é que na receita da nossa vida, os sabores não seriam tão diversos se não fosse por um único, porém poderoso tempero: as pessoas.
Sim, é isso mesmo. Relembre bem os melhores e os piores momentos de toda a sua vida e me responda se em algum deles você estava só. É claro que não!
Sempre havia uma ou mais pessoas que atuavam de alguma maneira naquele momento pra que ele ganhesse a força e a importância que hoje você dá à recordação dele.
Mesmo nos momentos em que você (talvez) estivesse só, ainda assim havia alguém: havia a saudade de um amigo enquanto você admirava um pôr-do-sol, havia a lembrança daquela garota enquanto você voltava pra casa após o primeiro encontro ou mesmo poderia ser a expectativa contida dentro de uma sala de espera pra conhecer aquele ser que você há nove meses ansiava conhecer.
Em algum momento é preciso dar-se conta disso. Não é tarefa fácil, exige uma certa humildade em reconhecer isso e saber lidar com esse fato: pessoas sempre farão parte da tua vida.
Pessoas vão te fazer companhia, vão te dar conselhos, vão te dar um emprego, vão te causar arrepios, vão olhar nos seus olhos, vão te ligar de madrugada, vão te presentear com um Diamante Negro, vão pisar no seu pé, vão te fazer rir, vão te fazer chorar, e algumas... (ah! essas são as melhores) vão ficar tão tristes por terem te feito chorar que vão fazer de tudo pra que voltes a rir (inclusive te dar o Diamante Negro).
O bom é que haja troca. Não há sentido se não houver reciprocidade.
E aí você não vai mais precisar de humildade, e sim de força pra reconhecer esse segundo fato: em algum momento, com alguma pessoa, não vai haver retorno. Esteja pronto pra isso.
Mas, se ninguém te avisou, agora é a hora: você não vai conseguir estar pronto para isso e se acontecer uma ou quinhentas vezes, em todas elas você não vai estar pronto.
E é nessas horas que você vai precisar da pessoa mais importante de todas que você conhece: você.
Sem você não há os outros, e sem os outros não haverá você. Portanto tome um tempo pra bater um papo de frente ao espelho (e com Deus também, ao menos com Ele sempre haverá reciprocidade), sinta o quanto você é importante pra si mesmo; respire fundo. São passos realmente importantes.
Isso tudo vai acontecer pra que você perceba que pelo menos sobre SUA vida quem tem o controle é você. Faça uso disso.
E tudo isso acontece só por causa do tal do amor. Esteja disposto a amar as pessoas e se não estiver, deixe-as; mas saiba que também serás 'deixado'.
Já dizia Luís de Camões: "Tão contrário a si é o mesmo amor..."

Pessoas surgem em nossas vidas, algumas ficam, outras apenas passam brevemente, algumas se fazem ainda mais presentes e ainda outras não são arrancadas sem que possamos dar o último adeus.

Acima de tudo, decida qual desses tipos de pessoas você quer ser para as outras, para si mesmo, e quais delas você permitirá fazer parte da sua vida, porque é só assim, por meio dessas muitas pessoas que você se aproxima cada vez mais da utopia que é a felicidade: não há outro caminho.

Boa jornada!

_________________

If I get old, I will not give in. But if I do, remind me of this.
Remind me that, once, I was free. Once, I was cool; once, I was me.

w.a.s.t.e. central
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Qua Fev 24, 2010 8:36 pm

Estou com saudades de vocês. Queria entrar no msn, mas não fiz as tarefas de casas. Ao mesmo tempo não resisti a postar os dois poemas aqui embaixo. Depois de muitos meses consegui escrever e até que estou orgulhosa. Minha linguagem foi simples, espero que entendam. Cara, dois poemas! Gostei mais do segundo, achei menos comum. Mas o primeiro também me conquistou. É estranho falar sobre o que a gente escreve, er. @___@
-
-
Convite opcional
Vem,
chora comigo esta noite.
Quando as lágrimas te sufocarem,
me afoga com um beijo.
Eu não me importo.
Tu serás minha salva-vidas.
Serei o teu.
Vamos provar:
"o pior com o pior
não pode piorar".
Quebremos as malditas regras.
Vamos fugir deles,
porque vamos virar eles
se nada fizermos.
Vamos brincar de esconde-esconde
para nos encontrarmos.
Vem.
Vem.
Ou vai.
Vai embora.
Vai embora comigo.
-
-
Dicionário ambulante
e desmerecedor de leitores.
Eu sei tudo
e não sei nada.
Eu sei o que é
amor,
beleza,
amizade,
girafa,
carinho,
tristeza,
elétron,
qualquer-outra-coisa.
São palavras
que os outros inventaram
e puseram dentro de mim.
Eu sei tudo
e não sei nada.
Eu sei como se escovam os dentes
mas não tenho sorriso.
Eu sei ligar dois pontos
mas nada parece ter sentido.
Eu sei somar um mais um
e ser só mais um.
Eu sei amarrar os sapatos
mas não paro de cair sozinho.
Eu sei que importa a beleza exterior,
e minhas letras foram mal impressas.
Eu sei que o céu é azul
mas é provável que não haja céu.
Eu sei fechar os olhos e dormir
mas sempre esqueço os sonhos.
Eu sei palavras esdrúxulas
mas não converso com ninguém.
Eu sei muitos conceitos dos outros
mas não possuo opinião só minha.
Eu sei consumir e inutilizar o saber
mas nunca parei a fim de construí-lo.
Eu sei tudo
e não sei nada.
Eu sei que você me olha
e não me enxerga.
Você é uma deles?
Você entende parte do mundo?
Você, me toque e me leia.
Página por página,
palavra por palavra,
revise com bastante atenção,
re-escreva algo não-tão-inútil.
Eu sei que preciso de você
mais do que amo você.
(Manaus, 24 de fevereiro de 2010, às 15h34min, com um pouco de sono.)
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Faust Arp
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Qui Fev 25, 2010 3:01 pm

Reverso


De costas para a janela, estou sentada. Devir.
De costas...

Eu vejo a menina brincar de ser criança, até quando, e onde? Dentro de mim apenas.
Nos escapulários das moças freiras, onde se adornam os mundos em torno dos pescoços
As vejo crescer, eu toco os seus cabelos. Devir
Onde e quando? Dentro de mim e nos sussurros das horas

Passos a fora...em torno dos espelhos, dos véus que cobrem os rostos
Em presença dos estranhos que me cercam...os espelhos refletem os seus corpos
Em torno de receios entreabertos entre gotas cristalinas e amorfas
Em presença de mim mesmo e de costas para janela.

Vendo e não vendo mais nada.

Devir...findo, lento e mutável, passos a fora...Devir
Já não penso em atirar-me aos teus encantamentos
Conseqüências que o tempo, fez-me assumir. Cheguem truculentos ou não!
Estou de costas
Mas não sou cega, nem nego a formação dos laços, entrançados
Tenho o cerne das lembranças a meu respeito e vago neste caminho
Direita ou esquerda...tanto faz, se estou deslizando em seus braços
Tanto faz, se é morte ou vida
Tanto faz se é céu ou terra....Tudo se encerra em um sorriso distante
Tudo se encerra em um olhar desatento
Tudo se encerra quando estou e sou ao mesmo tempo
Quando me afogo em loucuras e cálculos sem respostas

Tudo se encerra em uma equação matemática variável
Num amplo espaço entre eu e a janela
julgo sê-lo meu tempo presente, onde estou escrevendo meus versos
onde fujo e regresso, horas e horas.
Devir...
e agora se encerra, em mais um momento
e agora me viro sem mais nada a dizer...
olho para fora de mim e lá estou no centro
brincando de ser criança. Até quando ou onde?
No colo do tempo ou submersa em águas que nunca serão as mesmas.


T.M.
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Mar 07, 2010 11:42 pm

Sete





Abaixo de um muro, abaixo de mim
Volto a cair em estradas que passeiam em pessoas
Poeira que vaga pela pele, e suja os poros
A batalha se segue e ao longe diz-me para recuar
Volto a acostumar meu espírito ao longo esfacelamento
Poeira que suja os poros, estradas que passeiam em pessoas
Recua dentro de mim, falam-me os anjos...recue dentro de si
Acostumo-me com as feridas, as facadas, os gritos
Seguirei demarcado, dilacerado, sucumbido
Sentimentos me afloram e decerto me dominam
Eu tateio o seguimento como um bêbado cego...na noite, e com força descomunal
Tragam-me de volta, mas eu sigo....eu sigo
Gaivotas que me cercam não imaginam
Nem mesmo o rosto de feições transcritas
Não imaginam, como nascem uns aos outros
Como guardam uns aos outros, como matam uns aos outros
Não imaginam que respiro a pulso...e solto pulsação subtraída
Não imaginam que impedi a lágrima de cair a pouco
Não imaginam.
E do outro lado o horizonte custa a abraçar-me
E do outro lado as coisas parecem ser mais lindas.




T.M.
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Mar 08, 2010 3:14 pm

Antes do comentar "sete" vale ressaltar que "Reverso" é mais um espetaculo dilacerante...

A sensação super pessoal que tive, foi que li um poema digno de um Álvaro de Campos...Com aqueles sentimentos que vão se estrelaçando com a passagem do tempo submerso nos movimentos e gestos cotidianos...Fascinante o verso arrebatador final "No colo do tempo ou submersa em águas que nunca serão as mesmas"

"sete" é lindo e confessional como Scastterbrain...Sublime como "True Love..." as vezes entrecortante como Let Down...mas com um final sussurrante e belo como em Nude...Lindo demais Thami...lindo demais...
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