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MensagemAssunto: SEM COPYRIGHT   Ter Set 08, 2009 12:58 pm

O PLÁGIO COMO NEGAÇÃO NA CULTURA
Karen Eliot

Dada a total colonização da vida cotidiana pelo Capital, nos vemos forçados a falar a linguagem recebida da mídia. Tem sido sempre impossível dar uma expressão coerente aos pensamentos e práticas que se opõem à ideologia dominante. Sem dúvida, nós não buscamos a criação de novas linguagens. Uma tal maneira de atuar está condenada ao fracasso e cai nas mãos do Capital (mediante o reforço dos mitos da "originalidade" e da "criatividade individual"). No lugar disso, nós nos propomos a reinventar a linguagem daqueles que nos controlam.

Ainda que refutemos o conceito de "originalidade", não achamos problemático que a idéia de plágio inclua um original. Ainda que creiamos que toda a "criatividade humana" é acumulativa (quer dizer, que todas as inovações se constróem sobre a soma total do que veio antes) não é nosso problema se existe, no passado, um "ponto de origem". Nós não podemos dar conta desse "ponto original" e não perderemos nosso tempo fazendo especulações filosóficas sobre tais irrelevâncias.

O plágio é o ponto negativo de uma cultura que encontra sua justificação ideológica no "único". Com certeza, só através da criação de "identidades únicas" pode ter lugar a mercantilização. Assim, a busca sem sucesso por parte dos "artistas modernos" de uma linguagem nova e universal deveria ser vista como a mais alta expressão do projeto capitalista. Sem dúvida, isto não implica de nenhuma maneira que o "pós-modernismo" seja mais "radical" que seu precursor. Ambos movimentos foram simplesmente etapas de uma só trajetória.

Tais desenvolvimentos refletem a capacidade do sistema de recuperar ações e conceitos que no passado ameaçaram sua própria constituição. A "apropriação pós-moderna" é muito diferente do plágio. Enquanto a teoria pós-moderna assegura falsamente que já não há nenhuma realidade básica, o plagiarista sabe que o Poder é sempre uma realidade em uma sociedade histórica.

Há dois tipos de pós-modernos. O primeiro é o dos cínicos que entendem o processo ideológico no qual eles jogam um papel menor e o manipulam para sua ganância pessoal. A segunda é a dos ingênuos. Bombardeados pelas imagens da mídia, crêem que toda a "normalidade" mutante apresentada pela imprensa e pela tevê constitue uma perda de "realidade". O plagiarista, pelo contrário, conhece o papel que a mídia desempenha ao mascarar os mecanismos de poder e trata ativamente de transtornar esta função.

Ao reconstituir as imagens dominantes, ao subjetivá-las, propomos criar uma "normalidade" mais adequada às nossas necessidades que o pesadelo midiático ditado pelo Poder. Sem dúvida, nunca imaginamos que isto possa ser logrado só através de exposições em "galerias". Os procedimentos que são usados para vender sabão em pó estão poderosamente aferrados a nossa consciência precisamente por que as imagens associadas a eles são as mais reproduzidas pela mídia. Para que uma imagem seja efetiva necessita da reprodução contínua na imprensa e na tevê. A única alternativa viável à nossa estratégia de exibição das imagens reconstituídas pelo processo de plagiarismo é a destruição física das estações de transmissão e de tecnologia de imprensa.

Karen Eliot (publicado originalmente no catálogo que acompanhou a exposição Desire in ruins, Trasmission Gallery, Glasgow, maio de 1987)

Tradução de Ricardo Rosas

Texto do site anarco-situacionista espanhol radicales libres - www.geocities.com/Soho/Lofts/8666/rad03.htm

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