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 [1997] Ok Computer

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Rafa-RH
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MensagemAssunto: [1997] Ok Computer   Ter Set 22, 2009 9:53 am

OK COMPUTER

Produzido por Nigel Godrich & Radiohead
Arte de Stanely Donwood & The White Chocolate Farm
Lançado em 16/06/1997


FAIXAS:

01 Airbag
02 Paranoid android
03 Subterranean homesick alien
04 Exit music (for a film)
05 Let down
06 Karma police
07 Fitter happier
08 Electioneering
09 Climbing up the walls
10 No surprises
11 Lucky
12 The tourist

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If I get old, I will not give in. But if I do, remind me of this.
Remind me that, once, I was free. Once, I was cool; once, I was me.

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Última edição por Rafa-RH em Ter Set 22, 2009 9:54 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: [1997] Ok Computer   Ter Set 22, 2009 9:54 am

Resenha
por João Leno Lima




Em 2007 completou dez anos o que considero uma das maiores obras de arte do século XX. E um dos melhores discos conceitual do rock em todos os tempos e vou dizer por que.

O disco Ok Computer (1997) dos ingleses do Radiohead.

Formado por cinco amigos, (Thom Yorke letra, vocal e Piano, Jonny Greenwood, Guitarra e sintetizadores e cordas, Colin Greenwood, Baixo, Ed O’ Brien, Guitarra e Shill Selway baterista). Na cidade de Oxford (interior da Inglaterra), o grupo subverteu o britpop, (movimento de rock pop inglês versão anos noventa onde letras bobas, poses e holofotes eram mais importantes que a essência da musica na arte),

Com o engenheiro de som Nigel Godrich e o artista plástico Stanley Donwood, em um estúdio no meio do nada, no interior de Londres, a banda rompe com a estética clássica do britpop, e assina uma obra atemporal que entraria para a história do rock como um dos últimos grandes momentos dele no século. Com influência que vão de Dj Shadow e Krzstof Penderecki (compositor erudito polonês). Passando por inspirações do “Krautrock” (movimento musical anarquico-progressivo alemão),

Como Faust e Can ao Jazz de Charles Minguas e Jon Coltrane,

O pós-punk soturno de Joy Division e referências literárias que vão de George Orwell e seu livro febril e político (1984), Thomas Pynchon e seu manifesto da “contracultura” (O Arco-íris da gravidade) e influências do futurismo urbano nos escritos de Philip K. Dick. A banda de Thom Yorke faz um raio X da sua geração anos 90 e o século XX como pano de fundo, a virada tecnológico, as perspectivas para o Homem contemporâneo e suas contradições nos aspectos existenciais como base.

Ok computer metaforiza sobre a idéia do computador; capaz de executar tarefas tão ou mais complexas do que homem, armazenar milhares de informações e trabalhá-la em vários níveis de problemas, ao mesmo tempo e com uma precisão racional e matematicamente perfeita, mas, incapaz de sentir, incapaz de amar, incapaz de chorar ou sorrir e nesse sentido, o quanto temos de máquina, ou quanto de humanos? Essa ambigüidade é trabalhada tendo como fio condutor a voz quase sintética, mas ao mesmo tempo teatral e lúdica de Thom Yorke. Temas como a possibilidade da morte trazendo para a vida uma nova chance e inspiração (a faixa Airbag), aonde Yorke conduzido pela “maquina” carro metaforizado que conduz Yorke sem rumo, sofre um acidente, mas ele sobrevive graças a um “Airbag”. Então ele passa a acredita que assim sua missão é salvar o universo. Yorke ironiza o homem sobrevivente e sufocado por seu materialismo psíquico que persiste em anular a si mesmo para assim dá lugar a um homem pragmático que não pode sentir a própria existência; onde sua essência está submersa em teias capitalistas e massificações do senso comum, mas esse homem para Yorke, chora internamente uma dor de sua própria inexistência, em (Paranoid Android) ele é um “andróide paranóico”.

Em (Subterranean Homesick Alien) “nostálgico alien subterrâneo”, alienígenas observam a terra e as relações humanas, Yorke reprimido, almeja ser levado pelos alies para o espaço e encontrar assim um mundo melhor. Para ele os homens estão prestes a tornar-se um alienígena dentro do seu próprio mundo, reprimido para sonhar e voltar a sua essência, o Homem só pode ser ele mesmo nos subterreneos mundos da sua subconsciência. Sufocado pelo comodismo e pela falta de perspectiva que assola sua geração pré-milenio, deixando o fim do século inseguro e tenebroso, um século marcado por duas guerras e pequenas outras; Guerra fria, nazismo, fascismo, ditaduras e contradições religiosas e éticas formaram a teias do século mais assustador da historia, o século da bomba atômica e da perpetuação filosófica do capitalismo.

Sufocado Yorke canta em (Exit Music) “música de saída”, planejando uma fuga para algum lugar nenhum enquanto ouve a máquina sussurrar no seu ouvido que isso não passa de um delírio sufocado.

Em (Let Down) desapontado consigo mesmo e com o mundo Yorke vaga pelas ruas, pelos transportes que o levam por caminhos solitários, como andar em círculos dentro de si mesmo numa das músicas mais melancólicas do álbum, Yorke sonha em ter asas, mas histérico e inútil ele se deixa vencer.

Em Karma Police, (referencia a “policia do pensamento” do livro 1984), metáfora da condição alienadora da sociedade moderna. O “Karma Police” (ideologia capitalista como modelo de pensamento). Escraviza “excluindo” da sociedade, qualquer um que queira andar fora da ordem, qualquer um que queira contrariar o “normal”. onde a palavra revolução, virou moeda, onde a arte virou apenas um mero produto na prateleira, onde a utopia é apenas uma palavra que soa risonha e hipócrita, onde qualquer pensamento fora do “normal” é um mero pensamento fora do normal, e se ele persistir, será devorado pelos tentáculos do senso comum e da ordem absoluta, no final Yorke grita: “ufa! Por minuto eu me perdi” e perde-se em si mesmo, mas as sirenes do Karma Police o engole completamente.

Essa ordem é confessada pela voz totalmente robótica em (fitter happier) “Mais ajustado e mais feliz”

Nela Yorke ouve as “dicas” da máquina para uma vida melhor e mais feliz, o que você precisa fazer para se adequar ao mundo moderno, agora sem revolução e desarmado você é manipulado mais facilmente e mais sutilmente. Levando-nos a caminhos distantes; a voz de Thom espragueja sobre questões políticas em (Eletioneering) “fazendo propagando política”. Onde para Yorke há um abismo entre política e ser humano conflitantemente real, O ser com sua idéia revolucionarias de estado e sociedade é minoria, governado pela maquina capitalismo só resta ao individuo lutar pela liberdade do seu próprio pensamento e o manter coerente enquanto procura encontra sentido para o mundo. Mas, um medo de se perder de vista toma conta em (Climbing Up The Walls) “subindo pelas paredes”, Yorke, sobe pelas paredes do seu próprio medo e desespero e se sentindo observado e perseguido, Yorke procura coerência em suas atitudes, e sente um medo quase infantil de estar sozinho em meio a seus próprios fantasmas. a máquina veio para confundi-lo e fraquejá-lo.

Em (No Surprises) “sem alarmes e sem supresas”. Um piano quase de ninar faz a base para um Yorke disperso, distante de si mesmo, cansado das atitudes humanas, desgastado dessa luta interna, enquanto a sociedade apenas caminha sem alarmes, para seu próprio fim, o esgotamento absoluto dos recursos naturais, a degradação completa da natureza isso, sem alarmes e sem supresas.

Mas em (Lucky) “afortunado” Thom diz esta com sorte, sente que pode amar e ter um dia glorioso, seus pensamentos estão mais claros, observa a humanidade de cima, flutuando em seus sonhos, acredita que seu rumo pode mudar na musica mais cheia de esperança de um álbum escuro e áspero, com a virada tecnológica, a revolução da informática na ultima década a humanidade vem perdendo aos poucos seu espaço de trabalho e o que foi um marco na revolução industrial agora na sociedade “pós-moderna” é feitiço virando contra o próprio feiticeiro (o homem) agora é refém de seu próprio ideal materialista, aumento do desemprego, empregos alternativos, desequilíbrio social, desigualdade, é o preço capitalista, que já não vê ninguém em sua frente para detê-lo então Yorke despenca, afirma que o “chefe do estado o chama pelo nome” clama para tirá-lo do acidente aéreo, afirma que já esta na extremidade de si, síntese de uma sociedade que se viu no século XX a beira de sua extinção, a beira de um colapso político, mas que recuperando suas formas viu na década de 90 uma grande ressaca de idéias e esperança, uma década marcada por um otimismo automático, pelo movimento elétrico dos passos, pelos blocos econômicos causando em países em desenvolvimento uma ilusão de modernidade e uma pobreza disfarçada para o bem da globalização, pela arte-objeto, efetivação da mulher no mercado de trabalho e consequentemente uma fusão com o homem no papel de maquina de fabricar dinheiro, o homem turista do seu próprio mundo sobrevive asfixiado e asfixiando,

Em (The Turist) a derradeira faixa de Ok Computer, Yorke clama que o homem vá devagar, que ele pare e pense o que significou o século XX, o que significa a própria existência dele, o que ela esta fazendo para si mesmo e o mundo, terminando Ok Computer de forma melancólica e confessional num clamor poético inalcançável, numa musica cheia de espaço vazio, quase um blues sintético,

Que vai morrendo aos poucos enquanto Yorke canta: “Homem devagar aí, devagar aí...”.

Ok Computer torna-se uma dos últimos sopros de arte do rock no século XX, Por ter a relevância de transformar elementos tão universais e íntimos e sintetizá-los e textualizá-los em seu discurso. Por ser uma copia fiel do seu tempo. Por captar os elementos que tornaram esse fim de século tão instigante tão escuro para as ações e o ser. Pela fusão pós-moderna de rock espacial com ambientes progressivos e música eletrônica experimental renovando assim o movimento (o rock) com originalidade e relevância, por ser tão espelho da própria humanidade na voz nos ambientes urbanos sufocantes e arrebatadores comandados por Yorke & cia. Levando o homem a questionar-se, qual o futuro da humanidade?

E qual minha própria relevância em tudo isso?

A arte prova mais uma vez que sua relevância não se limita ao seu próprio eixo e sim que ela se expande em todos os níveis e em todos nós; que ela pode transcrever a realidade e ser um documento histórico do seu tempo e ter papel decisivo nas reflexões sobre os principais problemas e questões humanas, por mais estranho e inacessível que possa parecer, a arte, ainda prevalecerá como um das características mais significantes da essência humana.

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MensagemAssunto: Re: [1997] Ok Computer   Sab Nov 07, 2009 8:35 pm

Cara, quando leio coisas como: "Ok computer é a obra prima do radiohead" sinto uma leve pontada na espinha. Eu sei, leno, que é a tua opinião (e muito bem formulada, por sinal. Parabéns) Mas, pra mim esse disco nunca foi o melhor. Laughing
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MensagemAssunto: Re: [1997] Ok Computer   Sab Nov 07, 2009 8:37 pm

ok computer é o mais consagrado acho, mas a obra prima para mim é o Hail to the Thief, tá eu sei que ninguem acha isso e eu to super loko, kk, mas o OK é muito lindo s2 Climbing up the Walls s2 e Lucky s2 The Tourist s2
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MensagemAssunto: Re: [1997] Ok Computer   Dom Nov 08, 2009 2:10 am

o ok computer é meu preferido, mas vou admitir, se não fosse pelo texto (que eu nem cheguei a ler inteiro, não leve a mal, Leno: tá tarde.) esses significados todos nunca teriam passado pela minha cabeça

o ok computer é meu preferido pq soa bem demais, e diferente cada vez que eu escuto, por isso.
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MensagemAssunto: Re: [1997] Ok Computer   Seg Jan 04, 2010 9:08 pm

O OK Computer, é o meu favorito...
Tem um signficado bem pessoal pra mim e tal... E é o que a sonoridade me cai melhor, acho...
Eu quase choro ouvindo Let Down e No Surprises, poxa... Crying or Very sad
Devo discordar dos significados que o cara postou, apesar de serem válidos, mas pra mim esse cd todo se encaixa quase que perfeitamente com um momento da vida que eu passei, agora está tudo melhor...
But... Embarassed
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MensagemAssunto: Re: [1997] Ok Computer   Ter Fev 16, 2010 9:54 pm

Este sim é um dos motivos de eu ainda dar valor a vida, escutar isso é um favor a humanidade! Sério! Nunca vi um álbum tão completo, tão perfeito, tão pra mim! hihihi No que dia que eu escutei, foi realmente the glorius day! thom
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